{"id":258,"date":"2017-11-20T20:09:15","date_gmt":"2017-11-20T19:09:15","guid":{"rendered":"http:\/\/romanistisches-kolloquium.de\/dlv\/?page_id=258"},"modified":"2017-12-09T13:52:50","modified_gmt":"2017-12-09T12:52:50","slug":"polyphonie-eine-sprache-viele-stimmen","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/lusitanistenverband.de\/pt\/lusitanistentage\/mainz-2017\/polyphonie-eine-sprache-viele-stimmen\/","title":{"rendered":"Polifonia: Uma l\u00edngua, muitas vozes"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div class=\"csc-header csc-header-n1\">\n<div class=\"csc-header csc-header-n1\">\n<h1 class=\"csc-firstHeader\">Polifonia: Uma l\u00edngua, muitas vozes<\/h1>\n<\/div>\n<h3>Descri\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica do 12\u00b0 Congresso Alem\u00e3o de Lusitanistas<\/h3>\n<p class=\"bodytext\">13 a 16 de setembro de 2017, Universidade de Johannes Gutenberg Mog\u00fancia<\/p>\n<p>O mundo lus\u00f3fono tem em comum o fato de os respectivos pa\u00edses partilharem a l\u00edngua portuguesa que serve como elemento unificador. Contudo, este espa\u00e7o \u00e9 composto por diversas \u2018vozes\u2019, express\u00e3o das diversas variedades, culturas e identidades, o tornando bastante heterog\u00eaneo. O car\u00e1ter pluric\u00eantrico do mundo lus\u00f3fono e da sua sociedade caracteriza-se pela sua \u00abdiversidade na unidade\u00bb reveladora de uma rela\u00e7\u00e3o historicamente determinada, apesar da sua enorme diversidade cultural e lingu\u00edstica. O conceito\u00a0<i>polifonia\u00a0<\/i>\u2013 oriundo do dom\u00ednio da m\u00fasica e introduzido no campo da filologia por Bakhtin, sendo em ambos os dom\u00ednios express\u00e3o de pluralidade de vozes \u2013 caracteriza de forma bastante precisa a realidade do mundo de l\u00edngua portuguesa. Esta polifonia \u00e9 realidade lingu\u00edstica quer no caso do portugu\u00eas, quer do galego, e n\u00e3o se limita ao contato e \u00e0 coexist\u00eancia do portugu\u00eas com as l\u00ednguas africanas, ind\u00edgenas e asi\u00e1ticas, nos respectivos pa\u00edses de l\u00edngua oficial portuguesa e, na sequ\u00eancia de movimentos migrat\u00f3rios, em Portugal. Em Portugal, mas tamb\u00e9m no Brasil, importa n\u00e3o esquecer o contato com outras l\u00ednguas europeias. Al\u00e9m disso, o Brasil e os pa\u00edses africanos e asi\u00e1ticos que adotaram o portugu\u00eas como l\u00edngua oficial ou cooficial no per\u00edodo p\u00f3s-colonial desenvolveram diversas variedades e normas de uso ling\u00fc\u00edstico do portugu\u00eas. Surgiram assim diversos discursos, diferentes manifesta\u00e7\u00f5es culturais e literaturas pr\u00f3prias. Al\u00e9m disso, o plurilinguismo e o contato lingu\u00edstico da\u00ed resultante s\u00e3o uma realidade no Brasil e, sobretudo, na \u00c1sia e em \u00c1frica, oferecendo, paralelamente \u00e0s diversas variedades do portugu\u00eas, um enorme potencial de investiga\u00e7\u00e3o aos estudos lingu\u00edsticos. O plurilinguismo e a heterogeneidade do portugu\u00eas s\u00e3o express\u00e3o da complexidade desse mundo, no qual o portugu\u00eas \u00e9 o meio de express\u00e3o oficial, e onde as diversas vozes convergem numa s\u00f3, nomeadamente atrav\u00e9s de processos de criouliza\u00e7\u00e3o, para de novo dar origem a diversas variedades.<\/p>\n<p>Na literatura, o conceito da polifonia \u00e9 utilizado para expressar poliperspectivismo, um princ\u00edpio da estrutura modo narrativo, na qual diversas perspectivas sobre os acontecimentos da diegese s\u00e3o criadas atrav\u00e9s da concorr\u00eancia de perspectivas entre as diversas personagens e o narrador. Este princ\u00edpio, presente j\u00e1 na literatura europeia antes do s\u00e9culo XX, tornou-se sobretudo produtivo no Modernismo e no P\u00f3s-Modernismo, na sequ\u00eancia da redefini\u00e7\u00e3o do conceito de autor. A heterogeneidade da sociedade nas suas diversas facetas tornou-se uma constante na literatura dos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa, que reencontramos em todos os g\u00eaneros liter\u00e1rios e em todas as \u00e9pocas. Basta pensarmos no car\u00e1ter pluridimensional do Eu-l\u00edrico nas cantigas medievais, nas obras do fundador do teatro portugu\u00eas Gil Vicente, na polifonia dos poemas de resist\u00eancia ao Estado Novo e de subvers\u00e3o social atrav\u00e9s do recurso \u00e0 palavra em sentido figurado ou na pluralidade de vozes no teatro de contesta\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica social. Na obra de Fernando Pessoa, por exemplo, a polifonia toma forma atrav\u00e9s dos heter\u00f4nimos que personificam biografias individuais e programas est\u00e9ticos distintos. O mundo lus\u00f3fono surge, pois, como um mosaico multicultural, que todavia ainda foi pouco refletido tendo em conta os par\u00e2metros e princ\u00edpios dos estudos culturais.<\/p>\n<p>Migra\u00e7\u00e3o e ex\u00edlio s\u00e3o processos constantes do mundo de express\u00e3o portuguesa. O discurso identit\u00e1rio polif\u00f4nico da\u00ed resultante propicia um enorme potencial para estudos a partir da perspectiva tanto das sociedades nacionais, como das sociedades transnacionais emergentes ou a partir de numa vis\u00e3o contrastiva.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m para a did\u00e1tica do portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira e os estudos de tradu\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas o tema da polifonia constitui um importante desafio. A aquisi\u00e7\u00e3o de l\u00ednguas estrangeiras encontra-se estreitamente ligada \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o do mundo moderno e \u00e0s suas necessidades comunicativas, pelo que se coloca a quest\u00e3o da presen\u00e7a e do papel das variedades lingu\u00edsticas nos contextos de contato do portugu\u00eas como segunda l\u00edngua. Nesse sentido, aspectos pol\u00edticos, econ\u00f4micos e culturais tornam a tradu\u00e7\u00e3o e a interpreta\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea um ato complexo, de transpor vozes desconhecidas para \u2018outra\u2019 l\u00edngua, sem que estas se percam.<\/p>\n<p>A polifonia \u00e9 um conceito que se encontra profundamente enraizado na l\u00edngua, literatura e cultura dos pa\u00edses de express\u00e3o portuguesa e na Galiza. O tema \u201cuma l\u00edngua, muitas vozes\u201d \u00e9, por isso, de suma import\u00e2ncia e proporciona a base para uma discuss\u00e3o atual e empolgante, que permite integrar a Lusitan\u00edstica num contexto interdisciplinar, podendo a polifonia tamb\u00e9m ser criada por estudos desenvolvidos ultrapassando as fronteiras da disciplina.<\/p>\n<p>Com a realiza\u00e7\u00e3o do 12\u00b0 Congresso Alem\u00e3o de Lusitanistas com o tema \u201cPolifonia: Uma l\u00edngua, muitas vozes\u201d a Associa\u00e7\u00e3o e a Universidade Johannes-Gutenberg, em Mog\u00fancia, pretendem criar uma plataforma para dar voz \u00e0s muitas e distintas vozes sobre a polifonia nas suas distintas acep\u00e7\u00f5es e variantes. Esperamos, por isso, poder contar neste Congresso com m\u00faltiplas se\u00e7\u00f5es das diversas disciplinas que d\u00eaem voz \u00e0 polifonia cient\u00edfica que caracteriza a Lusitan\u00edstica.<\/p>\n<p>Por favor, tenham a gentileza de enviar propostas de se\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao dia\u00a0<b>31 de agosto de 2016<\/b>\u00a0\u00e0 aten\u00e7\u00e3o da presidente da Associa\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 de Lusitanistas, Profa. Dra. Kathrin Sartingen (<a class=\"mail\" title=\"kathrin.sartingen@univie.ac.at\">kathrin.sartingen(at)univie.ac.at<\/a>).<\/p>\n<p>Yvonne Hendrich, Gunther Kunze, Benjamin Meisnitzer e Martina Schrader-Kniffki<\/p>\n<p>Mog\u00fancia, fevereiro de 2016.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Polifonia: Uma l\u00edngua, muitas vozes Descri\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica do 12\u00b0 Congresso Alem\u00e3o de Lusitanistas 13 a 16 de setembro de 2017, Universidade de Johannes Gutenberg Mog\u00fancia O mundo lus\u00f3fono tem em comum o fato de os respectivos pa\u00edses partilharem a l\u00edngua&hellip;<\/p>\n<p class=\"more-link-p\"><a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/lusitanistenverband.de\/pt\/lusitanistentage\/mainz-2017\/polyphonie-eine-sprache-viele-stimmen\/\">Read more &rarr;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":68,"menu_order":1,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-258","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/lusitanistenverband.de\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/lusitanistenverband.de\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/lusitanistenverband.de\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/lusitanistenverband.de\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/lusitanistenverband.de\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=258"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/lusitanistenverband.de\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/258\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":664,"href":"http:\/\/lusitanistenverband.de\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/258\/revisions\/664"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/lusitanistenverband.de\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/68"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/lusitanistenverband.de\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}